Professora questiona precarização da Biblioteca Municipal e falta de incentivo à leitura

A precarização da Biblioteca Municipal de Viçosa foi o principal assunto abordado na Tribuna Livre durante a 24ª Reunião Ordinária da Câmara. Na ocasião, a professora da Escola Estadual Santa Rita de Cássia e mediadora do Clube de Leitura Leia Mulheres, Ana Carolina Rosário Perricone, manifestou indignação ao afirmar que a biblioteca do município sempre ocupa uma "posição de menor importância".

Em sua fala, a educadora apontou que, no final de 2025, o acervo já havia sido transferido temporariamente para um porão, espaço que classificou como "insalubre para livros e pessoas", e que agora passará por nova mudança para o prédio onde funcionava a Escola Municipal Coronel Antônio Silva Bernardes (CASB).

Ana Carolina alertou que "os livros tendem a estragar nesse remanejamento" e cobrou mais diálogo com a comunidade para a escolha de um espaço funcional. "Conversem com quem realmente estudou para isso, com a bibliotecária, conversem com o povo, com quem gosta de ler. A biblioteca precisa de espaço, de silêncio. Não adiantava nada a gente ficar junto com o Centro Experimental, no andar de baixo, com todo mundo tocando um monte de instrumentos e as pessoas tentando ler na biblioteca no andar de cima", pontuou.

A professora também criticou a ausência da tradicional feira de livros na cidade e o modelo de desenvolvimento de Viçosa. Ao citar dados que indicam que 53% dos brasileiros não leem e ao alertar para a perda de atenção em sala de aula decorrente do uso excessivo de celulares, ela questionou as prioridades da gestão pública, argumentando que o investimento em expansão imobiliária e obras de infraestrutura se torna inútil sem o fomento à cultura e a criação de atrativos para reter os estudantes na cidade.

Em resposta, o líder do prefeito, vereador Marcão Paraíso (PSD),  informou que a transferência da biblioteca para a nova sede já está em andamento e que o local estará disponível ao público em breve. O parlamentar concordou com as reflexões sobre o impacto das telas no cotidiano, reconhecendo o uso massivo do celular, e reafirmou o compromisso do município, em conjunto com a Secretaria de Cultura, de garantir um espaço digno e estruturado para os leitores.

Outros parlamentares também repercutiram o tema na sessão. O vereador Betinho (PSB) concordou com as críticas e ressaltou que a falta de funcionalidade afeta diversos serviços municipais. A vereadora Marly Coelho (PRD) reconheceu a dependência do celular gerada pelas cobranças do dia a dia, defendeu a necessidade de pausas para o bem-estar e colocou seu mandato à disposição para ampliar o acesso à leitura. Já o vereador Professor Idelmino (PCdoB) reforçou a urgência de fixar a biblioteca em um local definitivo e sugeriu equipar o espaço com computadores para disponibilizar o acesso gratuito à plataforma digital de clássicos da literatura do Governo Federal.

Assessoria de Comunicação
Foto: Divulgação/Câmara de Viçosa

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