Centro de Reabilitação do Hospital Regional João Penido devolve autonomia e qualidade de vida a pacientes amputados

“A prótese me deu uma segunda chance ter uma vida normal”, afirma Kauê Teixeira de Almeida, de 17 anos. Após uma amputação, em 2022, devido a um tumor no joelho esquerdo, ele pode retomar a sua rotina com o uso da perna mecânica, há quase dois anos.

Kauê Teixeira / Crédito foto: arquivo pessoal

O adolescente é um dos pacientes tratados no Centro de Reabilitação do Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). O serviço atende pacientes amputados de toda a cidade e da macrorregião, que buscam reabilitação por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Todo mês, a unidade realiza uma entrega de até 15 próteses e faz uma média de dez revisões das que estão em uso.

Vida nova

Kauê chegou ao hospital no início de 2023, ainda em tratamento contra o câncer. "Fiquei muito triste quando precisei amputar minha perna, com medo de nunca mais conseguir andar. Quando me informaram da prótese, foi como uma luz ao fim do túnel”, recorda.

Já no meio do mesmo ano, ele teve a alegria de voltar a realizar suas atividades diárias quase como era antes, após receber as próteses. “A adaptação foi muito rápida. Com ela, posso ir para qualquer lugar e viver uma vida praticamente normal”.

A comemoração foi ainda maior ao ver que seria possível continuar praticando a sua grande paixão: o vôlei. “Praticar esporte é tudo para mim. Achei que nunca mais poderia jogar. Ver que era possível foi uma das melhores coisas que me aconteceu”, recorda ele, que só tem elogios à equipe do hospital. “São todos muito atenciosos, desde quando iniciei meu acompanhamento lá, até hoje”.

Cuidado integral

Ao chegar à instituição, o paciente passa por avaliação médica especializada, de um ortopedista e um angiologista, e por uma avaliação global, realizada por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, enfermagem e assistência social, garantindo um cuidado integral e humanizado.

“Avaliamos como está o nível da amputação, a cicatrização, a força muscular e se existem outras alterações clínicas associadas, como problemas cardíacos, para termos certeza se há possibilidade do uso de prótese e, assim, fazermos todas as orientações necessárias à equipe de reabilitação física”, explica o ortopedista, referência técnica do Centro de Reabilitação do HRJP, Nacib Zanon Salim.

De acordo com a fisioterapeuta do Centro de Reabilitação do HRJP, Amanda Nathalia Guilarducci Amaral, o processo de protetização tem como objetivo promover a reabilitação física e psicológica do paciente. “Realizamos atividades de fortalecimento muscular global, treino de equilíbrio, dessensibilização do coto e orientamos quanto ao enfaixamento. Também trabalhamos a autonomia e a independência do paciente, com acompanhamento psicológico contínuo, essencial para o equilíbrio emocional”.

Todo o processo dura, em média, seis meses, sendo mais rápido em pacientes com até 30 anos. “Quando o paciente se encontra apto e reabilitado à sua nova realidade, com segurança e autonomia, realizamos a alta do serviço, mas garantindo o acompanhamento do paciente e manutenção da prótese, que inclui a sua substituição quando necessário", explica Amanda.

“A prótese é uma forma de esperança que as pessoas que tiveram membros amputados possam retomar a sua vida”, finaliza Kauê.

Serviço completo

Além da entrega das próteses, também são entregues órteses - dispositivos externos utilizados para apoiar, corrigir ou estabilizar partes do corpo com comprometimento funcional - bengalas, muletas, andadores, sapatos ortopédicos sob medida para pacientes com pés neuropáticos e cadeiras de rodas comuns e motorizadas.

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